quinta-feira, 25 de maio de 2017

Conectivismo - a comunidade como currículo

Transcrevo, a seguir, um trecho de um minicurso que ofereci em 2012, no 3° Simpósio de Hipertexto e Tecnologias na Educação, da ABEHTE, em Recife.

Conectivismo. Outra questão seria verificar em que medida o construtivismo ou outra teoria 
da aprendizagem daria conta dessas formas de se relacionar com o conhecimento e de 
construir conhecimento. 


Siemens defende o que ele chama de Conectivismo que, embora 
não seja uma teoria da aprendizagem acabada, ajuda a entender o conhecimento distribuído 
e o que parece ser seu ponto nevrálgico, a ideia da aprendizagem fora do ser humano, nas 
redes sociais. 


Um outro pesquisador, citado por Dave Cormier (2008) em seu artigo Rhizomatic education: Community as curriculum, utiliza a  noção de rizoma teorizada por Deleuze & Guattari em sua obra de 1980, Mille Plateaux.

Por questões de espaço, essas questões não serão aprofundadas aqui mas o artigo de Cormier      
está disponível no link  http://davecormier.com/edblog/2008/06/03/rhizomatic-education-community-as-curriculum/

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Disciplina PGL 100 UFAL-2017.1

Hipertexto e gêneros digitais: Introdução ao estudo das funções retóricas dos links.

Caros alunos,

Nessa disciplina faremos uma revisão sobre os tipos e classes de links, focalizando suas funções retóricas, procurando atualizar os estudos feitos ate agora. Discutiremos algumas das implicações que os links trazem para a leitura, inclusive a leitura de imagens e as relações verbo-visuais.

Oportunamente postarei mais detalhes.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Google imagens e Aby Warburg: no princípio eram as imagens

A primeira vez que ouvi falar - ou que li - sobre Aby  Warburg foi no livro de um professor do Instituto de Artes da da Unicamp, A primeira vez que ouvi falar - ou que li - sobre Aby Warburg foi no livro de um professor do Instituto de Artes da da Unicamp, Etiene Samain, no livro Como pensam as imagens (Ed. Unicamp, 2012).

A Folha de SP de 7 de maio de 2017 traz uma reportagem escrita por Norval Baitello Jr., historiador de arte e autor do livro A Era da Iconofagia, em parceria com Leão Serva intitulada: No princípio era a imagem: o alemão que resumiu a história sem palavras. Haverá. Nos dias 10 e 11 de maio, um colóquio internacional em São Paulo sobre o trabalho de Warburg.

O que nos interessa, no momento, é dizer que ele elaborou  um “Atlas” composto de 63 painéis com imagens coladas de forma semelhante ao que o Google traz quando buscamos imagens e sobre o projeto da empresa intitulado Experiments, cuja proposta é utilizando uma supercâmara para fotografar obras de arte dos museus.


Seus painéis funcionam  com imagens organizadas pela “boa vizinhança”  numa superposição de imagens cujas relações entre si  são inexplicáveis verbalmente, mas elas estão ali: “elas se justapõem por semelhança , uma primeira se junta por presença a outra, que está próxima; esta a uma outra  com a qual tem certa harmonia, mas que já se distingue da primeira – e assim vão se distanciando, ou transformando, até surgir algo completamente improvável de início.”

Os autores comentam, então, que, as relações entre as imagens  são inexplicáveis verbalmente. A imagem é processada e apresentada por uma lógica iconográfica, que não se subordina à expressão verbal. Pode ser pensada, consumida e comunicada sem tradução linguística: homens e macacos reconhecem e reagem a gestos expressivos de emoções em frações  curtíssimas de tempo, muito menores do que a resposta do verbal.

As informações acima são muito importantes para nós que estudamos a leitura de imagens e as relações texto-imagem.

O historiador também criou a Bliblioteca Warburg, onde os livros eram organizados pela mesma regra da boa vizinhança, ou seja, não por ordem alfabética de autores e títulos.

Warburg define as imagens como porta de entrada da biblioteca, “Warburg expressa a convicção de que no  princípio eram as imagens”.



A Guerra dos Mundos - e por falar em fake news

Comentei num post anterior sobre a dificuldade  na leitura quanto  ao discernimento entre a meia mentira, a  pós-verdade e as notícias falsas. as fake news.

Lembrei-me, porém, de que essa dificuldade, ainda que em escala bem menor, não é nova.

Acho que é emblemática a  fake news  da transmissão radiofônica que Orson Welles, em 1938,  fez do romance de Herbert George Wells A Guerra dos Mundos. e a edição ilustrada da Editora Suma
de Letras. 

Na era do rádio, as pessoas sentadas à sua volta numa noite fria, sentiram medo que levou ao pânico coletivo e, dizem, até ao suicídio, tamanha a "realidade" da transmissão da invasão de marcianos.

    Ouça e veja no Youtube!!!

Olha, as motivações do Orson Welles foram, principalmente, artísticas, e não políticas.
O perigo das fake news e assemelhadas que tenho comentado não está na utilização artística, da experimentação de um meio de comunicação, mas na utilização política e malintencionada, cuja intenção é confundir a opinião pública.


Agência Lupa: checadores e curso gratuito

Falamos em ensinar a ler. Pensamos  em leitura como algo mais amplo e mais complexo que decifrar códigos linguísticos, visuais, sonoros, gestuais, espaciais e tudo isso junto.  Sim, Leo o texto o discurso, identificar ideologias subjacentes, motivações inconfessáveis. O que mais deveria  o ensino? O que mais poderia a leitura?
                Resposta: sacar o pressuposto básico da verdade!!
                Na era da pós- verdade e da relativização da verdade (veja interessante matéria intitulada Como funciona a engrenagem das notícias falsas no Brasil) alimentada por presidentes, ministros, juízes, atores, artistas que postam e constroem suas próprias verdades, sem passar pelo crivo jornalístico; numa era em que blogueiros e sites parceiros, colunistas e comentaristas que são pagos  para distorcer, difamar, confundir e espalhar notícias falsas, as fake news,  e, ainda mais,  numa época de ideologias líquidas, cujos seguidores são tão instáveis quanto uma partícula subatômica da antimatéria, que se faz tudo só  por dinheiro (como ironizava o Groucho Marx – estes são meus princípios, mas se você não gostar, eu tenho outros) - que até o passado tornou-se  imprevisível,  ler ficou complicado.
                Complicou para a escola.
                Complicou para aqueles que acreditavam que a internet iria mudar nossa relação com a leitura por causa da nova textualidade hiper e de banalidades abundantes.
                Gente pulando da ponte por causa de um tal de internetês.
                Voltem. Despulem.  O perigo está logo ali na frente.
                Complicou para a escola que sequer havia se ajeitado na cadeira para pensar sobre os velhos problemas novos ainda insuperados.
                Ok, mas quem criou essa confusão que a concerte. A mídia!
                A Agência de Jornalismo e Checagem Lupa está ajudando a desfazer a confusão. Os jornalistas que nela trabalham – os checadores – conferem os temas mais polêmicos da semana, conferindo as fontes dos dados, buscando em bancos de dados e ajudam o leitor a enxergar melhor.
                Confiram.



quinta-feira, 4 de maio de 2017

Quebrangulo não quebra

E eu que pensei que Graciliano Ramos fosse apenas um talentoso escritor. Nada, ele foi também ótimo administrador da cidade de Palmeira dos Índios, cidade vizinha de Quebrangulo, onde foi prefeito, na década de 1930.

Saiu aqui em Maceió uma matéria na Gazeta de Alagoas, em 4 de outubro de 2015, informando que dos 102 municípios alagoanos, 90 dependem principalmente da arrecadação da FPM e cerca de 60 prefeitos desistiram de se recandidatar pois a crise nas prefeituras destrói sua popularidade.

Enquanto isso, o atual prefeito de Quebrangulo,Manuel Tenório, disse que a cidade está com o orçamento equilibrado, pois ele adota o modelo de gestão do velho Graça.

Transcrevo abaixo, da matéria citada,  os princípios de gestão que o mestre aplicou em Palmeira dos Índios:
"Os principais atos políticos que Graciliano adotou para aumentar a receita foram: extinguir  favores largamente  concedidos a pessoas que não precisavam deles e pôr fim às extorsões que afligiam os matutos de pequeno valor, ordinariamente raspados, escorchados, esbrugados pelos exatores (cobradores de impostos)."

Graciliano para presidente!



Palmeira dos Índios 

 Quebrangulo
Quebrangulo

Paródia - música, imagem e o que vier

Paródia é uma releitura cômica de um texto e geralmente tem viés cômico, irônico, debochado. Em termos textuais, encontramos a intertextualidade como um dos elementos marcantes.

Na música, no Brasil, ela vem lá dos tempos do circo, das apresentações de duplas ditas caipiras, como Jararaca e Ratinho e Alvarenga e Ranchinho.
Ouça a paródia da marchinha carnavalesca Mamãe eu Quero feita por Jararaca e Ratinho.

A paródia pode ser também de filmes, livros, séries de TV, etc.
Veja esse site de paródias de zines atuais. 

E há paródias de imagens, pinturas clássicas, etc. Olha essas aí embaixo, que bacanas.


E tem o Weird Al, músico americano especialista em paródias que fez sucesso nos anos 1980 e 1990 parodiando Michael Jackson, Nirvana, Madonna e, mais recentemente, parodiou as séries Game of Thrones e Mad Men.



Leia a boa matéria sobre o Weird Al publicada pela Folha e assista a vídeos de suas paródias.

Marco Civil da Internet - 23 abril 2014- data para marcar

E o Marco Civil da Internet foi sancionado em 23 de abril de 2014, pela Lei 12.965/14.

Transcrevo, abaixo, alguns comentários feitos no Editorial da Folha publicado em 18 agosto 2013.

Ela é como uma Constituição da Internet. Seu objetivo é estabelecer princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da rede e diretrizes para a atuação dos agentes públicos.

Entram também questões como a segurança jurídica da rede e a neutralidade da rede que, nesse caso, implica que todos os pacotes de dados transmitidos pela internet devem ser tratados da mesma forma, sem distinções relativas a conteúdo, origem, destino ou serviço.

Não fosse assim, os pacotes de dados seriam tratados diferentemente não só quanto à  velocidade, como também ao conteúdo. Ou seja, quem quisesse apenas e-mail contrataria plano básico, para notícias e vídeos, teria que fazer upgrade de plano.

Sem a neutralidade,  a internet seria um tipo de TV a cabo.

Ainda, a velocidade de conexão contratada pelo usuário não pode mudar em função do conteúdo utilizado pelo internauta, como muitas vezes acontece, especialmente quando se trata de vídeos.

O Marco defende também a privacidade do usuário, pois antes dele, nada impediria que alguma empresa coletasse informações do internauta e as repassasse a terceiros.

Há ainda a responsabilização por conteúdos postados por terceiros. Temos visto, ultimamente várias vezes o WhatsApp ser tirado do ar e o Facebook se envolver com problemas com a justiça justamente devido a esses conteúdos.

Publiquei uma resenha de um livro do Julian Assange intitulado Cypherpunks: liberdade e o futuro da internet que trata desses assuntos.


E por falar em infográficos - que lindeza

Olhem essa matéria da Folha, de 18 agosto 2013.
O infográfico caiu bem demais.

Curioso é observar que a matéria no jornal impresso foi  apresentada em forma de infográfico, mas no digital, não!

Link para matéria no site.


Não deveria ser o contrário?

Vou fotografar  a matéria do impresso e publicar aqui,

Fotonovela - só que não

Na matéria intitulada "Roubo em três atos" o fotógrafo Cacau Fernandes, da Agência O dia/Folhapress  flagrou, um roubo numa praia carioca em três atos, feito história em quadrinhos.

Reportagem com quase as mesmas fotos foi publicada no jornal O Dia (vejam fotos abaixo)

Dão muita pesquisa, as questões que a  leitura dessas imagens e a forma como foram publicadas trazem.
Olha que dá também um bom exercício de produção textual.




Infográficos: leitura complicada. Por quê?

Uma das novas formas de escrita são os infográficos.

Por que nova? Sabemos que as imagens não são lá de andar sozinhas. Os textos verbais também gostam quando discorrem com imagens por perto. Nossos olhos curtem imagens.

Imagens e textos agradam, Vejam os gibis, as fotonovelas (êpa, essa é velha), as capas das revistas, vejam quase tudo (sim, quase, pois temos o Diário Oficial) vejam os infográficos.

Nova forma de escrita por que as imagens, gráficos, desenhos, cores, mapas, croquis, etc. são dispostos topograficamente de modo a compor um todo de sentido indissociável, não como mera ilustração ou regalo para os olhos.

É um tipo de texto multimodal. Creio que não se trata de um gênero digital - não pensei muito sobre isso ainda - mas, seguramente, é uma nova forma de pensar a redação de um texto e de organizar as informações no papel (jornais e revistas) ou na tela. Há ainda a possibilidade de inserir vídeos e áudio.

Exemplo:


Essa nova forma de produção textual exigiu que O Globo, por exemplo, desenvolvesse uma nova arquitetura do que eles chamam Redação Multimídia. Visite o site.

A Folha tem também uma redação especializada em infográficos. Muito bacana mesmo.
Quanta pesquisa precisamos fazer ainda!!

Como ensinar essa nova escrita e como ensinar a leitura (multimodal) de infográficos?


Facebook e propaganda de margarina

Marion Strecker publicou um artigo na Folha em 14 outubro /2013 que somente agora tenho tempo de comentar.

Falando sobre o Facebook, perfis falsos, campanhas para mostrar fotos da infância, mudar de nome, cutucar os outros que estão quietos, etc, etc, Marion também diz das caras sorridentes e felizes que todos costumam postar, como se a vida fosse uma propaganda de margarina, sabe né, aquelas com gente de roupas claras ou brancas felizes à mesa do café da manhã...

De fato, citando uma pesquisa americana, a colunista diz que as fotos postadas são escolhidas a dedo e imagens que aumentem a fama ou a vaidade do figura são repetidas e repetidas.

Uma orientanda minha fez uma bela pesquisa sobre o poder da beleza numa escola pública, nas aulas de educação física. Um dos instrumentos de coleta de dados eram selfs das alunas e elas tinham que selecionar a mais feia e justificar a escolha. Daí,sim, apareceram os critérios estéticos de beleza.

Uma amiga minha mantém a mesma foto dela no e-mail  desde que a conheci, nos tempos do filhos no colo. Hoje já estão casados.
Não me lembro agora qual o foi o fotógrafo ou cineasta que disse que as imagens - e daí eu adapto para imagens dos perfis nas redes sociais - são como imagens do sarcófago. Vocês sabem, os sarcófagos egípcios são lindos, cobertos de ouro e enfeites, mas as múmias que eles guardam dentro de si são isso mesmo, pessoas mumificadas.




Nas bancas de defesa de que participo, terminamos sempre com professores, orientandos e familiares em poses sorridentes.

A pesquisadora Luciana Borre Nunes - UFRGS - publicou um livro muito interessante intitulado As imagens que invadem as salas de aula - reflexões sobre a cultura visual. Editora Ideias e Letras, 2010, onde comenta sobre essa cultura visual que permeia ambientes escolares.

Ela tem um site com muito material disponível sobre Cultura Visual.

Vocês fazem ideia?

Gente, vocês fazem ideia dos números astronômicos que envolvem a internet?

Acessem as estatísticas on-line

Os dados abaixo são prints feitos agora, 4/5/17 às 10:25. Eles mudam a cada segundo.  A ordem é de  trilhões!



Existem vários aplicativos que podem ser utilizados para mapear as interações e criar um mapa delas.
Experimentem o NodeXL e vocês saberão com quem estão falando, ou interagindo no Facebook ou no Twitter . Saberão quão fortes são  suas redes sociais.



Writing dead ou É doce morrer on-line

A segunda parte do título dessa postagem é o mesmo de um artigo de Luli Radafahrer publicado na Folha  em 9 de setembro/201 que só agora tenho tempo de comentar.

O assunto é que, escreveu o articulista, "a Wikpédia e serviços de conteúdo como blogs e repositórios de vídeo se comportam como editoras, deixando o material disponível até ordem em contrário.

Radafahrer diz que o maior cemitério digital é o Facebook, com sua política de transformar o perfil do falecido em memorial.

... e o número de falecidos superará o dos vivos! Walking Dead? Writing Dead?

E tem muita gente gente falando com os mortos via "redes sociais", postando RIPs, inclusive.

Não vi ainda nenhuma postagem de lá pra cá. Quem sabe logo não teremos perfis psicografados!

Veja o artigo completo

A velha flor num jardim de pedras

O articulista da Folha,  Pedro Luiz Passos publicou,  em 10 março/17, um artigo em que fala que “a indústria 4.0 (ou manufatura inteligente) está transformado a forma de produzir , distribuir e consumir produtos e serviços e, por tabela, exigindo novas habilidades da mão de obra e redesenhando as relações de trabalho.”

Lembram-se de que as reformulações nas leis de ensino, as LDB sempre foram motivadas pelo contexto social imediato, ou seja, para fornecer mão de obra a cada nova geração de empresas e negócios?

Passos diz que 47% dos empregos nos EUA estão ameaçados. Estima-se, diz ele,  que  65% das crianças que cursam atualmente o ensino fundamental vão trabalhar no futuro em profissões que hoje ainda não existem!!

E nós, na escola, educando para o futuro!!

Apenas 5% das profissões atuais enfrentam risco de extinção... desde que os trabalhadores se adaptem aos novos tempos:  fazer com tecnologia digital o que antes  se fazia com as mãos, lápis, papel, telefone fixo,  presencialmente, etc.

Diz o articulista que na área de TI o emprego é fragmentado e que os jovens até preferem assim: sem vínculos.  Minha geração amava vínculos, registro em carteira era para a vida inteira.

Concordo com Passos: ação prioritária é investir numa nova grade curricular nas escolas, dando ênfase nas matérias STEM – Science, Technology, Engineering and Mathematics e na proficiência em Inglês,  língua predominante no mundo digital.


Senti falta, porém, da velha flor, a língua portuguesa. Num jardim de pedras stem essa flor é imprescindível.